Sobre o projeto

Quilombos no Brasil Escravista: uma história documental é um projeto de pesquisa financiado pelo CNPq (edital 040/2022), sob a coordenação do pesquisador Flávio dos Santos Gomes. O projeto está sediado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e conta com uma equipe de pesquisadores dedicada a investigar e difundir a história das comunidades formadas por fugitivos da escravidão no Brasil.

O projeto busca oferecer uma nova história da resistência à escravidão, a partir de uma perspectiva documental e plural. A ideia de que os quilombos eram comunidades isoladas, meros focos de rebeldia reativa e marginalizados da sociedade colonial, mais do que refletir a complexidade do processo histórico, é produto de uma visão historiográfica que, por muito tempo, subestimou a capacidade de agência e as complexas redes de interação social construídas pelos escravizados.

Pesquisas recentes, no entanto, têm demonstrado que essa premissa precisa ser revista. Longe de serem mundos apartados, os quilombos interagiam ativamente com a sociedade ao seu redor. Desenvolviam economias camponesas, estabeleciam trocas comerciais com taverneiros, pequenos lavradores e até mesmo com escravos de engenhos próximos, afetando e modificando a sociedade envolvente. Em suma, não havia uma forma única de “aquilombamento”, mas uma diversidade de experiências que iam desde grandes comunidades autônomas até pequenos grupos temporários que negociavam seu retorno ao cativeiro em troca de melhores condições.

Mapa de 1820, "Quilombo" em Ilha Bela

Com esse horizonte em mente, busca-se reformular a questão da resistência escrava no Brasil, reconstruindo indutivamente — por meio de fontes primárias — as diversas formas de organização social, econômica e política dos quilombos. Se a narrativa tradicional do isolamento não oferece um relato preciso, devemos olhar para os documentos e fazer algumas perguntas básicas: Como os fugitivos organizavam suas vidas e comunidades? Como estabeleciam alianças e redes de proteção? Como suas atividades econômicas se integravam aos mercados locais? Como as autoridades coloniais descreviam e tentavam reprimir esses espaços de liberdade? Que normas regiam essas comunidades?